Pediatra alerta: cuidado com crianças no verão
Exposição solar e intoxicação alimentar são os vilões
16/02/2017


Estamos na estação mais quente do ano e as crianças são mais vulneráveis a uma série de condições associadas ao verão.  Nesse texto darei dicas para evitar alguns desses problemas e de como proceder caso eles ocorram.

Nessa época é muito comum a família viajar junto para o litoral ou aproveitar a estação em clubes e piscinas. Os cuidados já começam aí, sendo aconselhável uma consulta com o pediatra para averiguar se a criança está bem para viajar. Uma otite média, por exemplo, pode causar dor de ouvido intensa numa viagem de avião devido à pressurização da cabine.

Dicas para viagens 

- Uma condição comum em crianças é a cinetose (mal do movimento), que é uma sensação de enjoo e vertigem que certas pessoas sentem ao viajar de carro, ônibus, avião ou navio. Normalmente é algo benigno, que se resolve com a idade e é bem tolerada, mas para algumas pessoas mais sensíveis pode ser bem chato, atrapalhando a viagem e causando desconforto para a criança.

- Uma boa maneira de evitar ou aliviar a cinetose é deixar as crianças com o estômago vazio antes da viagem. Evitar comidas, principalmente gordurosas, e oferecer apenas líquidos claros.

- Também é recomendável não deixar a criança ler ou brincar com joguinhos durante a viagem, isso pode causar enjoo. Olhar para um ponto distante no horizonte também é uma boa técnica para crianças maiores.

- Nos casos em que nada adiantar (há crianças que vomitam 6 ou 7 vezes durante uma viagem), procure o pediatra antes da viagem.  Ele vai receitar medicações que ajudar bem, as mais conhecidas são a escopolamina e o dimenidrato. NUNCA DAR NENHUMA REMÉDIO PARA A CRIANÇA SEM ORIENTAÇÃO MÉDICA PRÉVIA.

 Cuidados com exposição solar

- O sol é o maior inimigo da pele, pode causar desde queimaduras, até câncer de pele e envelhecimento prematuro. O efeito do sol é cumulativo.

- Crianças de até um mês de vida não devem ir à praia, na verdade devem ficar em casa e receber o menor número de visitas possíveis. Devem ser expostas apenas ao sol do início da manhã ou fim da tarde, cobertas com roupa, 10 minutos por dia. Essa recomendação é para evitar a deficiência de vitamina D.

- Bebês de 1 a 6 meses não podem usar protetor solar, sua pele é muito sensível. Devem ficar na sombra, com roupas e boné.

- De 6 meses a 2 anos podem ser usados protetores solares específicos, que usam barreiras físicas (menos risco de alergias), são comumente chamados de “Baby” ou “Mineral”.

- A partir de 2 anos são usados filtros com mistura de barreiras físicas e químicas, são intitulados filtros “Kids”, “infantil” ou “crianças”.

Observação: o fator de proteção solar (FPS) mínimo deve ser 30. A partir de 2 anos usar os com resistência à água.

Para encerrar vamos citar outros problemas comuns durante as viagens no verão e como evitar e tratar:

Intoxicação alimentar/ gastroenterites: Muito cuidado com o que a criança come na praia. Alimentos de ambulantes ou de certas barracas podem estar mal conservados ou contaminados e causam intoxicação. É melhor evitar caso não tenha certeza da procedência: camarão, frituras, ostras, qualquer coisa com maionese, alimentos pouco cozidos ou crus. Picolés são sempre uma boa pedida e agradam as crianças, um peixe grelhado é excelente para o almoço.

No caso da intoxicação ocorrer, a criança pode apresentar diarreia e vômitos, felizmente o quadro costuma ser autolimitado. Nos quadros leves oferecer líquidos e Soro de Hidratação Oral (não usar fórmula caseira). Em caso de vômitos persistentes, diarreia com pus ou sangue ou febre alta, procurar um médico. Não usar nenhuma medicação sem recomendação médica, remédios para diarreia e vômito (exceto o soro) não são indicados de rotina, cuidado com as recomendações de leigos e balconistas de farmácia.

Ensolação e queimadura solar:  não expor crianças ao sol por muito tempo e tampouco entre as 10 e 16 horas. Oferecer líquidos em abundancia e reaplicar o protetor de 2 em 2 horas. Em caso de queimadura leves (sem bolhas) , usar hidratantes. Em casos mais graves ou mal estar, levar ao médico.

Desidratação: Oferecer líquidos para a criança o tempo todo (mesmo sem ela estar com sede), dar preferência a água, sucos naturais e água de coco. 

*Luiz Eduardo Parreiras Tálamo (CRM MG 39856) é especialista em Pediatria e Terapia Intensiva Pediátrica e atua como Médico Horizontal no Neocenter São Camilo, além de coordenar o curso TINP (Terapia Intensiva Neonatal e Pediátrica) na SOMITI.